Coragem de professoras evitou que tragédia em Saudades/SC fosse ainda maior

A tragédia ocorrida em uma creche no município de Saudades, na região oeste de Santa Catarina, teria sido ainda maior não fosse a coragem das professoras da instituição que agiram para proteger os alunos na manhã desta terça-feira. Por volta das 10h, um jovem de 18 anos invadiu o local e, com uma arma branca do tipo facão, matou cinco pessoas — entre elas, três crianças.

Todas as vítimas receberam, pelo menos, cinco golpes de facão. Ao perceberem o ataque, as professoras do CEI (Centro de Educação Infantil) Pró-Infância Aquarela rapidamente trancaram as salas em que estavam ocorrendo aulas naquele momento a fim de impedir que o jovem machucasse os alunos. Segundo a Polícia Civil, o jovem tentou entrar em todas as salas da creche.

Elas, instintivamente, todas elas, se trancaram dentro da respectiva sala e seguraram as crianças para dentro para que ele [o jovem] não entrasse. Ele tentou entrar em todas as salas e não conseguiu. Com aquelas mulheres guerreiras lá, sozinhas com crianças pequenas, evitando que um mal maior acontecesse. “Jerônimo Marçal, delegado da Polícia Civil de Santa Catarina.

Em coletiva de imprensa realizada no fim da tarde de hoje, o delegado Jerônimo Marçal, responsável pelo caso, destacou a ação das docentes. “Meus parabéns às professoras que estavam lá, à bravura daquelas profissionais”, disse ele. No momento, cinco professoras cuidavam de 20 crianças. Segundo relatos de moradores, elas teriam corrido para escondê-los no momento do ataque.

Keli Adriane Aniecevsk: “Uma super-heroína” Apesar do ato de bravura, o ataque deixou duas professoras e três crianças mortas. A professora Keli Adriane Aniecevski, 30, estava na entrada da creche e se prontificou a atender o jovem quando ele apareceu no local, sem imaginar que algo de ruim poderia acontecer. Pega desprevenida, acabou atacada a golpes de facão e, mesmo ferida, correu para alertar quem estava na creche. A professora acabou morrendo na escola.

A professora Keli Adriane Aniecevski, uma das vítimas do ataque a uma creche em Saudades (SC) Imagem: Reprodução/Facebook

Formada em Sistemas de Informação, Keli gostava tanto de crianças que conseguiu um emprego fora da sua área e virou professora da creche há mais de cinco anos. “Hoje a gente tem um projeto que vai repetindo ano após ano, que é o de revitalizar espaços infantis. Aqui na Aquarela, foi a primeira que a gente fez e foi por iniciativa dela. O solarius, onde as crianças tomam sol e precisava de mais cuidado”, lembra o arquiteto Adryel Kreutz, 24, amigo de Keli.

“Ela foi uma líder, sempre foi uma pessoa que se destacou muito pelo compromisso, pela responsabilidade e pelo respeito pelo próximo em se doar.”, lembra. No seu perfil no Facebook, Keli costumava compartilhar mensagens positivas e campanhas beneficentes. Entre as ações, publicou recentemente imagens de uma visita a um lar de idosos em Pinhalzinho, cidade vizinha. Também há posts de quando deixou o cabelo crescer para doá-lo.

Ela foi uma verdadeira super-heroína. Conseguiu proteger várias crianças, mas perdeu a própria vida.”Silvana Ester Helfer, prima da professora.

Mirla Renner: “Era filha única” Segundo a Polícia Civil, após atacar Keli, o autor do crime entrou na sala onde estava a estudante universitária Mirla Renner, 20, que também morreu em decorrência do ataque. Ela trabalhava como agente de educação, auxiliando professores durante as aulas, e morreu após ser encaminhada para um hospital.

Nas redes sociais, Mirla se apresentava como estudante de engenharia química na UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina). Padrinho de Mirla, o auxiliar de montagem Ademir Ternus, 47, estava no trabalho quando soube do incidente na creche por uma ligação com a esposa. Mal sabia que a afilhada havia sido esfaqueada no local.

Ela era muito querida, simpática, muito dedicada aos estudos de engenharia. Era filha única

Ademir Ternus, padrinho de Mirla Renner

Aline Biazbetti: “Agi por impulso”

Agente educativa, Aline Biazbetti, 27, ainda estava em casa durante a manhã, preparando-se para o turno que começaria à tarde. Do outro lado da rua, ouviu gritos de socorro.

“Era 8h, 9h. Estava em casa e escutei gritos de socorro. Quando sai para a rua vi as meninas da limpeza saindo pelo portão da frente, pedindo socorro: ‘por favor liguem para a polícia que um cara entrou armado e está matando as crianças'”, contou. Ao ver a cena, Aline diz que agiu no impulso e pegou uma das crianças e a levou até o hospital. “Poderia ter sido eu.

 

 

 

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